Diário de um engenheiro mecânico: 2020 o ano do fracasso na Porsche Cup e publicação de artigos

O mais engraçado dessa minha coluna, aqui, é que ela diz ser um diário, mas na verdade é anual… O fato é que eu virei 2019 para 2020 estudando pesadamente o livro do Jorge Segers, sobre telemetria de carros de corrida, e praticando no Pi Toolbox. O objetivo de toda essa neura era passar na prova da Porsche Cup e dá alguma retorno para o investimento que meus pais fizeram em mim, logo no começo. Seria ótimo, se fosse trágico, pois eu fatidicamente reprovei na prova, ficando em último lugar na segunda etapa. Então o fim de Janeiro e começo de Fevereiro eu comecei o ano com o pé direito, com um fracasso. Até aí normal. Eu tenho que reconhecer, contudo, que a seleção contou com profissionais (no sentido de profissão) que já tinham experiência em campo. E em data analysis, por mais excelente que o técnico seja na teoria, usar isso na prática é outra história. Ou seja, quem já tinha experiência se saiu bem. Eu que não tinha, foi mau, bem mau. Moving on…puto, mas moving on.

Veio o carnaval, mas um tal de corona vírus estava se espalhando pela China e atingindo a Itália. O carnaval não foi cancelado e lá vou eu para Olinda/Pe. O carnaval é o único momento da minha vida que eu desligo do mundo, que eu posso dizer que sou relativamente feliz. No Brasil o ano só começa depois do carnaval e depois da frustração na Porsche Cup e sensação de dinheiro jogado fora, me restava a curtir o carnaval e focar na finalização da minha graduação.

Eu tive bem sucedida ideia de concluir as cadeiras de Elementos de Máquinas 1 e 2 antes dos último ano, então em termos de desafio nas cadeiras desses semestres eu não tive tantos. Foram nos meses de março até junho que eu estava finalizando meu trabalho de conclusão de curso e meus primeiros artigos sobre brake-squeal. A pandemia estourou no Brasil em março, a UFC decretou que as aulas estavam canceladas por volta de abril, não lembro ao certo. Eu aproveitei esse período para me dedicar totalmente a análise de dados da minha pesquisa, e no final de julho eu tinha enviado todos os cinco artigos que escrevi. Foi aí que eu percebi o que estava acontecendo no mundo e me assustei um pouco com a pandemia. Os atendimentos com a minha psicóloga foram interrompidos, mas eu podia conversar com ela por conferência online, o que eu refutei, gosto de conversar pessoalmente. Nada como um dia após o outro…

Escrever artigo é uma das atividades mais desgastantes na vida de um pesquisador ou estudante. No meu caso, ao longo da construção do artigo eu sentia uma grande pressão no peito. Isso nunca me impediu de escrever e eu seguia em frente. O interessante também nessa fase é que eu ficava imaginando como seria meu artigo, que ficaria lindo, que colocaria na parede. Entretanto, quando ele ficou e pronto, eu olhava e pensava: “que bela porcaria”. Ainda que meus professores dissessem que ele estava ótimo, bem escrito, que estudantes de doutorado auxiliando alunos em escrita acadêmica avaliarem que está ótimo nível para um aluno de graduação e que um deles foi aceito logo de cara, mas com revisões maiores, na minha cabeça, eles estavam um porcaria. Entretanto, eu precisava publicá-los, se eu fosse pra uma seleção de mestrado, contariam pontos a meu favor.

Com o fim de julho a ufc começava a retornar as aulas, eu voltei a focar na graduação. As cadeiras restantes eram mais simples e eu passei sem grandes dificuldades. Aqui cabe um parenteses, sem grandes dificuldades na ufc significa sem nenhum surto ou crise de ansiedade. Em meados de outubro, um dos meus artigos foi aceito para publicação definitivamente. Eu cumpri parcialmente minha missão de me formar com um artigo publicado.

Em meados de Novembro, meu professor orientador, Rômulo, conversou comigo sobre um edital que ele recebeu, mas que já estava fechado. O mestrado era em Advanced Automotive Engineering, na Itália. Eu li grade curricular e pensei, é isso aqui que eu quero, definitivamente é. Entretanto, eu nunca pensei que chegaria a tanto. Meu histórico na ufc é o retrato de uma pessoa atropelada pelo trem e o primeira avaliação dessa seleção era justamente o histórico. O Rômulo disse que não me desse por vencido, e que submetesse assim que abrissem novas vagas. Falei “ok” e vida que segue.

Em dezembro, se não me engano, a ufc estava voltando as aulas, porém com estrutura online. Embora a estrutura ainda fosse carente em alguns aspectos, creio que o semestre ocorreu bem e eu passei todas as cadeiras, finalizei meu curso e cumpri minha meta de me formar com um artigo publicado. Nada demais. Sendo franco, nesse período eu estava bastante desapontado com meu futuro. Um país com economia em frangalhos, gente questionando vacinas e empresas (automobilísticas) fechando. Decidi abrir mão do meu sonho da Fórmula 1 e virar professor de faculdade mesmo, na UFC, então decidi que me inscreveria no mestrado da UFC para Materiais, no departamento da metalúrgica, para dar continuidade a minha pesquisa sobre brake squeal em freio a tambor. A meu ver, o balanço geral do ano não foi negativo nem positivo, me formar e publicar um artigo não foi nada mais, nada menos que minha obrigação.

Caso tenha interesse em ver meus artigos publicados e o trabalho de conclusão de curso, seguem abaixo os links: