Planejamento de produtos e esclarecimentos de tarefas – Parte 5-2

Existem algumas técnicas específicas que podem ser aplicadas para construir uma boa lista de requisitos. No último artigo foi descrito o método geral sistemático. No entanto, existem também o desdobramento da função de qualidade (QFD) e as especificações de destino (TS). Este artigo é uma continuação do anterior, mas com a abordagem do QFD e sua principal ferramenta, a casa da qualidade (HoQ).

Implantação da função de qualidade (QFD)

FIGURA 1 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

É uma técnica para traduzir as necessidades do cliente em um problema técnico a ser resolvido. Isso é feito pelo método House of Quality (HoQ), que é um arranjo das informações para se ter uma visão clara do produto. HoQ é baseado em salas, que são What, How, How Much e Benchmark. Refletem os requisitos do cliente, os requisitos alvo, as métricas ponderadas e a avaliação técnica e a opinião do cliente sobre os produtos competitivos, respetivamente. A Figura 1 ilustra o modelo geral de um documento HoQ.

Salas “O Que” e “Como” da HoQ

FIGURA 2 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

A sala What é aquela no lado esquerdo do gráfico HoQ. Ele descreve a lista de requisitos do cliente. O “primeiro andar” do HoQ representa a lista dos requisitos alvo, que é a sala Como. A Figura 2 ilustra com mais detalhes essas duas salas. O ponto importante é que os requisitos do cliente estão associados a um índice de importância para o cliente. Portanto, para cada requisito do cliente, existe uma lista de requisitos-alvo que podem ser organizados de acordo. No meio do HoQ existe uma matriz usada para correlacionar os requisitos e as metas, ou seja, O Que e Como.

FIGURA 3 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

Em alguns casos, é possível perceber que para um requisito do cliente existem muitos Como e O Que devem ser considerados. Esta é uma maneira de criar uma conexão entre requisitos e metas. Obviamente existem requisitos que não se enquadram em alguns objetivos. Portanto, é importante caracterizar essas relações. Isso é realizado de acordo com os sinais ⬛, ⬜ e +, que representam correlações forte, média e fraca, respectivamente. Além disso, estes são quantificados. Correlações fortes, médias e fracas são equivalentes a 9, 3 e 1, respectivamente. Como pode ser percebido, esses números são separados por um fator de 3 para criar uma distância adequada entre os níveis de relacionamento. Portanto, até agora, é possível entender que existe uma lista de aspectos O Que e Como, uma correlação entre eles e um peso que definiu a relação mais forte.

Telhado HoQ

FIGURA 4 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

No teto do HoQ estão os pontos fortes da intercorrelação entre os requisitos técnicos. Assim, considerando a lista de requisitos da meta, parte Como do HoQ, é possível perceber que algumas das metas estão conectadas. Em algumas situações, quando um dos requisitos-alvo é aumentado, um ou alguns outros requisitos-alvo e suas inter-relações têm algum grau de força. Estes podem ser fortes-positivos, positivos, negativos e fortemente-negativos. Relacionamentos positivos significam que um alvo aumenta, um ou outro pode aumentar, mas o grau disso geralmente é leve-médio. Assim, a relação forte-positiva diz respeito a alvos com uma forte ligação, talvez de sistemas complementares. As relações negativas dizem respeito a alvos com comportamentos opostos, portanto se um aumenta, os outros diminuem. Da mesma forma, o forte-negativo caracteriza alvos com conexão direta, mas oposta. Um exemplo do caso automotivo é a redução de peso, que exige uma redução da massa do componente, mas com redução da área da seção transversal, diminuindo assim a rigidez. Conseqüentemente, muitos requisitos no design automotivo têm relações negativas muito fortes. Por esta razão, é importante definir um trade-off adequado. Isto requer um conhecimento da intercorrelação entre as partes dos sistemas. Outro detalhe importante sobre essas inter-relações alvo são os limites que elas podem afetar umas às outras. Aproveitando o exemplo da redução de peso, por vezes uma redução de peso de 10% é demasiado ambiciosa, enquanto para carros de corrida este valor é simplesmente impossível. Portanto, o teto do HoQ também sugere que não existe uma regra para essas inter-relações, mas devem ser definidos os limites que estas podem atingir. Além disso, deve ser considerada a relação entre o desempenho técnico e o seu custo. Ou seja, há casos em que a comparação não é entre 2 requisitos técnicos, mas entre um técnico e um económico. Todo esse processo é bastante difícil, pois o entendimento do trade-off é subjetivo, portanto requer a discussão do ideal com o outro membro da equipe e da empresa. Portanto, não existe uma lei que conecte os alvos, apenas o sentimento, a experiência e o conhecimento sobre eles e a capacidade de quantificá-los como expressões numéricas.

HoQ Quarto mais baixo – Valores de peso

FIGURA 5 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

Por fim, não é possível encontrar apenas uma solução, ao invés disso deve-se definir um mínimo local para a otimização, então deve-se trabalhar neste cenário. Após a parte explicada no tópico anterior, os requisitos técnicos devem ser comparados entre si para se ter uma ideia do peso global que têm no desenvolvimento do produto. Nesta etapa devem ser consideradas as informações da matriz, portanto a força do relacionamento entre as metas e os requisitos e sua prioridade. Por exemplo, a Figura 5 ilustra a sala mais baixa do HoQ, estes são os valores de peso dos requisitos técnicos. Estes são definidos como um produto entre prioridade e relacionamento.

FIGURA 6 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

A Figura 6 ilustra alguns exemplos desses pesos. Como pode ser visto, existem quatro requisitos destacados e uma meta que se inter-relaciona com estes. Assim, é possível calcular o peso desta meta. O primeiro cliente é o “Tira levemente fixa”, que tem uma taxa importante de 5, mas a relação com a necessidade do cliente é 1, portanto o produto é 5 × 1, que é 5. O mesmo procedimento é feito com o outros três. No final, os valores são somados, o que resulta em 45. Este processo também é bom para comparar os requisitos do cliente entre eles em relação aos requisitos de um alvo específico. Esta é uma forma de praticar a avaliação da comparação entre diferentes alvos.

Benchmarking competitivo

FIGURA 7 – Fonte: G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.

A última parte do HoQ é o benchmarking competitivo, sua respectiva sala está na parte inferior e à direita do HoQ conforme visto na Figura 7. Existem dois tipos, a opinião do cliente (quando possível e o benchmarking técnico, que é a comparação entre o produto com outras soluções do mercado. A casa da qualidade é muito útil quando é realizada a partir de um papel branco. Ou seja, desde o início do desenvolvimento do produto. A razão é que as necessidades do cliente devem ser profundamente investigadas e comparadas com os requisitos técnicos do produto.

Referências

  1. K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019;
  2. G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.