Planejamento de produtos e esclarecimentos de tarefas – Parte 5-3

Outra abordagem semelhante à implantação da função de qualidade são as especificações de destino. Seu aspecto experimental é descrito neste artigo com uma breve revisão. Além disso, é explicado como o planejamento de experimentos e o planejamento de experimentos simulados podem ser utilizados neste processo. Estas, juntamente com o QFD, são três técnicas utilizadas para desenvolver a lista de requisitos. Que são usados para traduzir os requisitos do cliente em requisitos técnicos.

Especificações de destino

FIGURA 1 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Nos casos em que o processo parte de um produto técnico, as técnicas utilizadas para traduzir os requisitos do cliente em requisitos técnicos são o método geral sistemático e as especificações alvo. A abordagem sistemática foi proposta no livro Product Design and Development escrito pelos professores Ulrich e Eppinger. A Figura 1 ilustra um exemplo deste livro, é uma lista de necessidades com seus pesos. Isto é importante porque não há tempo para desenvolver todas as necessidades. Assim, durante o desenvolvimento do produto devem ser identificados os 20% das necessidades e os 20% dos pontos importantes que devem ser desenvolvidos para se obter 80% dos resultados finais. Este conceito é muito semelhante ao HoQ (leia mais). Depois disso, deverá ser preparada a lista das métricas. Na verdade, isso é algo semelhante às métricas e às correlações entre as necessidades do cliente e os requisitos técnicos.

FIGURA 2 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

A Figura 2 ilustra uma lista de requisitos ligados a um requisito técnico. Além disso, também é possível perceber a reivindicação do requisito técnico, a importância do mesmo e uma unidade utilizada para medir o requisito. Isto significa que não há possibilidade de medir a dimensão da entidade de uma peça. Além disso, também é possível criar uma matriz métrica de necessidades.

FIGURA 3 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Esta matriz (Figura 3) é semelhante à do método HoQ. Ao final deste processo, são obtidas muitas informações sobre o outro produto. Assim, o benchmarking é feito após a identificação dos requisitos mais importantes do cliente.

FIGURA 4 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

É importante entender que o processo começa com a análise e a definição dos objetivos, depois são analisadas as soluções dos concorrentes para se ter uma ideia clara do seu desempenho em pontos específicos do produto em desenvolvimento. Ao final é possível criar uma espécie de gráfico como o visto na Figura 3. Através deste, todas as métricas dos concorrentes podem ser comparadas com a proposta do produto.

FIGURA 5 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Depois disso, todas as informações trazidas passam a ser analisadas de acordo com a satisfação percebida do cliente. Assim, é possível testar previamente o que for encontrado na pesquisa do cliente, coletando suas ideias. Por fim, são definidos os limites e os valores alvo desejados. De acordo com alguma forma de descrever os alvos, é possível definir um alvo que será pelo menos um valor, no máximo um valor, entre 2 valores, exatamente um valor ou um conjunto de valores discretos.

FIGURA 6 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Assim, acrescenta-se ao gráfico (Figura 6), às métricas, a importância, as unidades e os valores marginais do valor ideal que se obtém no anterior. A Figura 6 ilustra um gráfico atualizado com essas informações. O próximo passo é a revisão de todos esses dados. O objetivo é evitar que estas propostas possam ter motivações pessoais, em vez de serem puramente técnicas. Portanto, é importante revisá-lo para eliminá-los e manter o processo o mais objetivo possível.

Segundo passo

FIGURA 7 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

A próxima etapa do processo torna-se cada vez mais técnica. Deverá ser desenvolvido o modelo técnico do produto. Estes são compostos pelo modelo funcional, o analítico, o CAD virtual e os modelos físicos. Além disso, existem métodos de teste como DOE e DOSE. O modelo de custo do produto deve ser desenvolvido, as especificações devem ser refinadas considerando os trade-offs e o fluxo descendente. Finalmente, os resultados devem ser revisados novamente. O ponto mais importante é compreender o número limitado de funções que criam valor para o produto. Por este motivo, são criados todos os modelos mencionados anteriormente juntamente com o planejamento de experimentos (DOE) e o planejamento de experimentos simulados (DOSE).

FIGURA 8 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Estas duas são formas de reduzir o número de experimentos que devem ser realizados para encontrar a correlação entre diferentes parâmetros. Modelos técnicos podem ser criados utilizando diversos softwares como Matlab e simulink. A Figura 7 ilustra alguns exemplos de modelos técnicos, estes são mais matemáticos do que visuais. O modelo de custo do produto define o custo geral da solução. Embora para este modelo a bio do material (BoM) não seja tão relevante, é importante ter uma visão clara sobre o produto.

FIGURA 9 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

De posse dessas informações é possível traçar um mapa competitivo (Figura 9). Na verdade, esta é apenas uma forma de comparar o produto em desenvolvimento com o existente no mercado. O objetivo é identificar em que posição o produto proposto se encontra no mercado. O grupo visto na Figura 9 é ainda mais importante quando o produto tem grande volume e sua força em relação aos concorrentes deve ser conhecida. As especificações que seguem são uma abordagem para compreender e descrever da melhor maneira a lista de requisitos, conforme visto na Figura 10.

FIGURA 10 – Fonte: K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019.

Por exemplo, no caso automotivo, as especificações gerais podem ser economia de combustível, tempo de aceleração e raio de viragem. As especificações coerentes dos subsistemas são suspensão, carroceria, trem de força e freio, por exemplo. O processo de fluxo ajuda a organizar o trabalho realizado e a ter uma ideia sobre ele. A última parte da especificação da meta é a revisão dos resultados do processo. Isso é feito por comparação com os resultados de outros membros da equipe. Assim, os requisitos são refinados e a lista está feita.

Referências

  1. K.T. Ulrich, S.D. Eppinger, Product Design and development, Mcgraw-Hill, 2019;
  2. G. Pahl, W. Beitz, J. Feldhusen, K.H. Grote. Engineering Design – A Systematic Approach. Springer, 2007.